Olá amigos paulistas e paulistanos... primeiro quero parabeniza-los pela organização do grupo... desde o site até a revista. Parabéns também pelos roteiros muito organizados.
Depois quero agradecer em meu nome pela camiseta que gentilmente deixaram em sua passagem por Pomerode. Obrigado mesmo. Já estou utilizando e divulgando seu trabalho por aqui.
Depois quero parabeniza-los em nome de meu irmão Ricardo e de minha cunhada Carla pela gentil referência ao Restaurante La Spezia que fizeram em sua matéria publicada no site e na revista.
Aproveito por fim para pedir a autorização para publicar também aqui sua matéria que agora reproduzo abaixo. As fotos que ilustram esta postagem são da minha viagem pelo Vale em dezembro de 2006.
AbraçosRubens
Vale EuropeuDiversidade de encantos, belezas, jeitos, histórias, sotaques, sabores, arquitetura típica, climas, encantadoras paisagens rurais e gente hospitaleira.
Santa Catarina é um admirável pedaço do Brasil. O estado surpreende pela variedade de paisagens naturais - Mata atlântica, florestas de Araucárias, campos, lagos, cachoeiras, serras.É um conjunto de cenários de incrível beleza. E também encanta pelas origens étnicas da população. As cidades que preservam a história e os costumes dos colonizadores alemães, italianos, poloneses, suíços...As influências e a herança cultural destes povos são visíveis na arquitetura, na culinária, no folclore, nas festas, nas crenças e manifestações religiosas.
A diversidade geográfica e cultural privilegia o turismo e a hospitalidade é uma característica marcante dos catarinenses, que cultivam a arte de bem servir.Nesse cenário em que as tradições européias herdadas são uma característica marcante deste roteiro na região norte de Santa Catarina percorremos o Circuito Europeu de Cicloturismo,
O Vale Europeu
O Vale do Rio Itajaí foi todo colonizado por imigrantes europeus. Os primeiros a chegar foram os alemães, a partir de 1850, que fundaram as principais cidades do vale. No último quarto do século XIX os italianos instalaram próximo às cidades alemãs já existentes.
O Circuito tem um total de 328 km com início e final na cidade de Timbó. O percurso pode ser dividida em parte alta e parte baixa. A parte baixa acompanha o vale dos rios, indo de Timbó até Rodeio. Há subidas e descidas, é claro, mas retorna sempre a uma altitude pouco maior do que a do nível do mar. A parte alta inicia-se na cidade de Rodeio, por onde sobe a serra em direção às represas, que ficam a cerca de 700m de altitude.É uma região mais rural e isolada, em que a natureza está fortemente presente.Por todo o roteiro existem opções para uma boa refeição. E os descendentes de europeus capricham na preparação de pratos típicos.
Timbó a Pomerode53 km até o Hotel BlaumbergAsc. Total – 673 m / Elev. Máxima – 424 mTimbó é o ponto de partida do circuito. Localizada no centro do Vale Europeu, é chamada de “Pérola do Vale”. O marco zero do início é em frente ao Restaurante Thapyoca.Ali também é retirado o passaporte do cicloturista, que como no “Caminho de Santiago de Compostela”, deve ser carimbado durante todo o percurso (no final, é entregue um certificado de conclusão do Circuito Europeu de Cicloturismo). O trajeto de 46 km, passa por alguns bairros rurais e também pela cidade de Rio dos Cedros. A partir do quilômetro 22, aparece uma leve subida e próximo do quilômetro 30, há um trecho de 1 quilômetro em que a subida fica bastante forte. Dali pra frente surge uma longa descida que persiste praticamente até o final do trajeto. A partir do quilômetro 36 chegamos ao ponto alto do dia, passando pela Rota Enxaimel. Enxaimel é um estilo arquitetônico de origem germânica em que a madeira assume a função estrutural. A alvenaria fecha os vãos e os telhados têm grande inclinação. Várias dessas casas estão identificadas com placas que contam um pouco da história da construção. Uma dica para quem curte essas maravilhosas construções. No quilômetro 39, ao invés de seguir em frente como diz a planilha, siga pela direita.Há muito mais casas nesse estilo e dá para chegar ao centro da cidade cortando um longo trecho de paralelepípedo, que apesar de embelezar mais as cidades do roteiro, é bastante desconfortável para o ciclista. Nessa bifurcação tem um mapa que permite o ciclista se localizar e não se perder, mas na dúvida é só perguntar.
Pomerode é a cidade mais alemã do Brasil. Colonizada a partir de 1861 por imigrantes provenientes da Pomerânia, ao norte da Alemanha, tem 20 mil habitantes – e cerca de 90 % fala alemão. A cidade é bastante simpática, uma das mais agradáveis do circuito. Uma famosa atração turística da cidade é o zoológico, fundado em 1932. Atualmente abriga cerca de 600 animais de 155 espécies diferentes, das quais 19 são espécies ameaçadas de extinção. Destaque também para o Museu Pomerano, o museu do Escultor Erwin Teichmann, a Casa do Imigrante e o Recanto Mundo Antigo.
Dicas em Pomerode:
Fotos são obrigatórias com a bicicleta nos dois belos Portais da Cidade, um na saída de Jaraguá, próximo do ponto final na primeira etapa; na saída para Blumenau, na outra extremidade da cidade.
Hospede-se no Hotel Blaumberg, uma pousada confortável e aconchegante onde o filho dos proprietários, o Neto é mountain biker é conhecedor de belos passeios de bicicleta pela cidade.
Não deixe de comer o delicioso chocolate da Nugali, bem no centro da cidade.
Para quem não curte a culinária alemã, a dica é comer uma bela massa no La Spezia.
Pomerode a Rodeio – 80 km até o Hotel Villa Paradiso – asc. Total – 729 m – elev Max – 328 mO programa sugerido pelo site no caminho do segundo dia é de Pomerode a Indaial e o terceiro dia de Indaial até Rodeio. Na quilometragem do programa no site oficial muitas vezes não constam trechos que atravessam algumas cidades. Por isso se fizer uma comparação com as nossas quilometragens vai encontrar grandes diferenças. Só que na hora do cansaço qualquer quilômetro a mais ou a menos é de grande importância. Em nosso segundo dia emendamos duas etapas percorrendo o trecho entre Pomerode até Rodeio, somando um total de 80 quilôm
etros até o único hotel da cidade de Rodeio, o Villa Paradiso Hotel. São dois trechos de longas subidas nesse dia até Indaial. O primeiro trecho, bem íngreme, “Rompe Pernas”. É um trecho ainda com uma zona rural bastante intensa. Atravessar a cidade de Indaial é um tanto chato, pois a cidade é bastante cumprida e o paralelepípedo torna um verdadeiro tormento. Dali pra frente há um longo trecho plano, margeando o Rio Itajaí Açu, mas de muito movimento de carro até o Bairro Warnow.É um trecho que exige muita atenção devido ao grande fluxo de veículos (há muita poeira em épocas sem chuva). Esse foi o único trecho que não agradou o grupo de ciclistas. Após contornar o rio o trajeto passa pela cidade de Ascurra. A partir daí é visível à mudança na arquitetura.Chegamos em uma área colonizada por imigrantes italianos. A cidade de Rodeio tem uma população de 10 mil habitantes, situa-se na região do médio Vale do Itajaí, em um local circundada por uma exuberante mata da Serra do Mar, formando a região conhecida como “Vale dos Trentinos, devido à numerosa presença de oriundos trentinos que preservam a cultura italiana - em particular a língua de origem, o antigo Tirolmeridional. O nome Rodeio é atribuído pela sua formação geográfica do pequeno vale rodeado por vales e montanhas que formam dois semicírculos. Os colonizadores que subiram margeando o Rio Itajaí-Açu, em busca da nascente, encontraram uma trilha de índios à esquerda. Seguindo por ela alcançaram Timbó e depois Indaial que era o ponto de partida - formando assim um” círculo “ (ou melhor, um” rodeio “), que deu origem ao primeiro nome Picada do Rodeio”.A partir de Rodeio a viagem fica mais bonita, passando por regiões rurais não tão habitadas e por uma maravilhosa Mata Atlântica. É recomendável, inclusive, que a viagem de bicicleta se inicie em Rodeio.
Dicas em Rodeio
Não deixe de comer no Restaurante Caminetto e viajar no tempo nas histórias contadas pelo seu proprietário – que, com certeza dará um bom desconto para os ciclistas.
Visite a vinícola San Michele e deguste um vinho da região.
No caminho rumo a Doutor Pedrinho (etapa seguinte) pare na Giacomina, uma Italiana legítima e bastante simpática, e deguste os deliciosos queijos e vinhos.É uma das melhores recordações da viagem.
Rodeio a Doutor Pedrinho – 48 kmAscensão total – 1181 m / elevação máxima – 746 m.É um dia bem bonito durante todo o roteiro, pois atravessa uma parte com muita mata e locais interessantes e curiosos. É o dia também com a subida mais longa de todo o circuito: 8 quilômetros. Mas isso não é motivo para se assustar: se o ciclista estiver bem preparado fisicamente, sobe bem, porque a inclinação não é forte. Logo no início da subida é possível sentirmos o que vem pela frente, pois a rica vegetação de Mata Atlântica toma a estrada. Suba prestando atenção nos veículos, em especial nos caminhões que não diminuem a velocidade e nem desviam das bicicletas. Quase no meio da subida, uma parada obrigatória no Laticínio Giacomina.É uma casinha onde são fabricados deliciosos queijos, salames e um vinho bem gostoso (quase um suco de uva). Giacomina, a proprietária é uma italiana legítima, da região de Trento, bastante simpática e com muitas histórias de sua região natal. Com certeza, fará o cicloturista degustar tudo do que ela tem a servir. Seguindo morro acima, as casas (muitas delas de veraneio) têm estátuas de anjo quase no tamanho natural de uma pessoa.À medida que vai subindo, as estátuas de anjos vão aumentando.E o trajeto vira uma verdadeira estrada dos anjos até a imagem do Cristo, que também é rodeada por anjos. A partir dali a subida fica mais forte e a paisagem ainda mais deslumbrante. No fim da subida, o prêmio: uma gostosa descida. Novamente é preciso muito cuidado com os caminhões, pois neste ponto há uma fazenda de extração de madeiras e os caminhoneiros circulam por ali a todo vapor. Fique atento nas curvas, o piso da estrada de terra é bom e fazendo a bicicleta tomar bastante velocidade. Fique atento nas curvas.O piso da estrada de terra é bom e faz a bicicleta tomar bastante velocidade. Fique atento também no fim da descida, para não passar direto pelo bairro.Siga sempre as setas amarelas.Após a longa descida chegamos a um bairro mais movimentado. Ali, um ponto de parada obrigatória: aIgreja construída no estilo Enxaimel, única no Brasil. Depois de alternadas subidas e descidas e um longo trecho plano você chega em Doutor Pedrinho.
Algumas dicas em Doutor Pedrinho:
Fique atento na planilha até chegar a Doutor Pedrinho,principalmente na indicação 24,4 Km, antes da Igreja Enxaimel.É um trecho que a maioria passa direto, mas fique tranqüilo porque a estrada sai no mesmo local: a Igreja.
Um pouco mais à frente, no quilômetro 29,8 o ciclista sai da estrada principal e atravessa uma ponte bem rústica de madeira, seguindo por uma estrada mais bonita e tranqüila.
.jpg)
A única pousada na cidade é a Bella Pousada, distante cerca 2 quilômetros do centro. Fica no alto de um morro com uma vista belíssima. É também o local indicado para uma excelente refeição.
Doutor Pedrinho a Alto do Cedro – 43 kmAscensão total – 831 m / elevação máxima – 862 m.Em minha opinião o dia mais bonito e também o mais selvagem, pois o trajeto corta os locais desabitados, em meio a paisagens de tirar o fôlego - não pelas subidas mais sim pela beleza. No trecho inicial é necessário dar atenção especial aos caminhões que não respeitam as bicicletas. No caso de o cicloturista não ter um esquema de apoio (o trecho é bastante ermo),é bom se abastecer com água e fazer um lanche reforçado (que pode ser encomendado antes na pousada).O início da pedalada é bastante gostoso, em um trecho plano de aproximadamente onze quilômetros, até a entrada da Cachoeira Véu da noiva. Ali você pode optar em deixar sua bicicleta no bar ao lado ou seguir pedalando na gostosa trilha,( o que é indicado somente para os mais experientes no mountain bike). Fique atento nas pontes de madeira que podem escorregar. Praticamente todo o trajeto de quase um quilômetro é pedalável.Próximas à cachoeira algumas raízes vão dificultar bastante. A recomendação é deixar a bicicleta por ali e seguir caminhando por uns 50 metros. A Cachoeira só é visível para quem ficar bem no meio do rio. É preciso muito cuidado para não escorregar! Para quem segue a pé, a dica é trocar as sapatilhas por um calçado apropriado para caminhada. Após a visita, o trajeto segue por uma longa e tranqüila subida. A cada quilômetro percorrido, embrenha-se mata adentro. Fique atento no quilômetro 18:quase no meio da descida, próximo a uma fazenda não vá muito embalado, para não acabar passando a entrada, que fica em uma pequena estradinha. Dali pra frente o trecho é mais legal, desabitado.A estradinha fica bem estreita, com o mata quase cobrindo a estrada. As araucárias se sobressaem imponentes em meio à farta vegetação. Após este trecho de mata, já próximo de Alto do Cedro, a paisagem se transforma devido a uma grande represa, formando também um visual belíssimo. Nesse trecho, ao lado da represa fique atento também com o movimento dos carros. O final do trajeto é em frente à Pousada Parador da Montanha, o ponto alto da viagem em matéria de hospedagem.
A região de Alto dos Cedros faz parte do município de Rio dos Cedros, que também é de origem italiana. São várias casas de veraneios,que ficam próximos aos lagos Rio Bonito e Pinhal.
Dicas em Alto do Cedro
São poucas as opções de hospedagens no local, em especial neste trecho. É melhor fazer uma reserva antes, principalmente em um fim de semana.
Hospedar-se na Pousada Parador da Montanha é o ponto alto da viagem. É uma confortável, charmosa e aconchegante pousada em frente à represa e com um atendimento especial e diferenciada. A comida também é excelente, transformando a parada em um ótimo local para repor as energias de vários dias de pedal.
Vale a pena ficar dois dias nesta pousada. Após completar a etapa seguinte até Palmeiras recomendo voltar para a Pousada Parador da Montanha de Carro (15 km – se não tiver apoio combine com a pousada) ou mesmo pedalando (se tiver perna). Neste caso informe-se em Palmeiras como voltar: há somente uma subida de uns dois quilômetros.
Alto dos Cedros a Palmeiras – 44, 5 km com início na Pousada Parador da Montanha.Ascensão Total – 794 metros / elevação máxima 611 m.Mais um dia com paisagens maravilhosas com muito mata, paredões de rocha em meio a montanhas e lagoas. É talvez o trecho mais tranqüilo para pedalar, pois durante todo trajeto curtas subidas e descidas se alternam. Especial atenção na planilha do site oficial, na quilometragem 4, 3, que indica para seguir em frente, o correto é pela direita. E lá pelo quilômetro 30 um novo desvio foi inserido no roteiro para a visita de uma linda cachoeira. A etapa termina em Palmeiras um povoado bem simples e com um povo bastante hospitaleiro.
Palmeiras a Timbó – 55 kmAscensão total – 670 metros / elevação máxima – 617 mA última etapa do trajeto, mesmo passando por trechos mais habitados não deixa de ser bonito. É um dia com muitas descidas, uma delas com quase dez quilômetros - a mais longa de todo o circuito. No fim da descida, no bairro do Cedro Alto, o roteiro segue agora pela estrada à esquerda do rio e não mais à direita. É muito mais tranqüila e bonita. Por um longo tempo pedalamos as margens de uma gostosa e tranqüilizante corredeira. Após retornarmos a estrada principal, fique atento no quilômetro 25, pois o trajeto sai da estrada principal e segue por uma alternativa bem tranqüila. Dois quilômetros depois, aparece a subida mais íngreme de todo o trajeto. São apenas 1,5 quilômetros, mas que faz as pernas queimarem. Passado o desafio mais descida até Benedito Novo. Passamos em frente de dezenas de locais onde são produzidos artesanatos de Vime, da Cana-da-Índia. Seguimos o trecho de terra final margeando o Rio Itajaí. Os quilômetros finais são pelo asfalto finalizando na bela Ponte, da represa ( que foi construída pelos imigrantes alemães em 1880, para gerar energia para a primeira indústria do município), no coração da cidade de Timbó.
Fique de Olho
Toda educação e hospitalidade do povo de Santa Catarina se transformam quando as pessoas estão dentro dos veículos. É preciso ter muito cuidado, pois as bicicletas geralmente não são respeitadas pelos motoristas.
O Passaporte do Cicloturista é retirado em Timbó no Restaurante Thapyoka. O Dimas, o proprietário do local, é um dos idealizadores do circuito. Lá também é entregue o certificado de conclusão do Circuito. O restaurante é também um dos pontos fortes da viagem, vale a pena comer lá.
Este é um circuito novo, onde algumas atualizações e correções na planilha do circuito estão sendo atualizadas no site oficial do roteiro. Mas dificilmente o cicloturista se perderá. É só ter atenção nas indicações das setas amarelas pintadas nos postes, cercas ou das diversas placas indicativas espalhadas ao longo do percurso.
Estar com a planilha e o odometro do ciclo-computador aferido também é importante. Na maioria das vezes as indicações em planilhas poderão ter algumas diferenças, mas facilmente identificadas sem o perigo de levar o ciclista para outra direção.
Os melhores meses para percorrer o Circuito: de maio a agosto. Evite o mês de outubro, quando acontece diversas festas na região e o verão que faz muito calor e chove constantemente.
Estradas de terra e bicicletas equipadas com alforje não combinam muito, pois em trechos irregulares com pedras ou buracos faz a bicicleta perder o equilíbrio. Recomendamos sempre ter um carro de apoio, pelo menos levando as bagagens.
Para quem pretende realizar uma viagem agradável de bicicleta, em meio à natureza, recomendo iniciar a viagem em Rodeio e terminar em Pomerode e lá ficar pelo menos mais um dia para conhecer os diversos atrativos da cidade ou mesmo para uma pedalada local.
O Sampa Bikers leva grupos fechados de ciclistas para pedalar no circuito durante o mês de Julho, no trecho entre Rodeio a Pomerode.
O site oficial do circuito é o www.circuitovaleeuropeu.com.br
Link para a matéria original:
Sampa Bikers: http://www.sampabikers.com.br/
.jpg)


